Mãe de primeira viagem (ou não tem manual de instruções)

Há exatos 36 dias, carrego em meus braços o bem mais precioso que já tive até hoje. Sim, meu filho nasceu no dia 03 de fevereiro de 2016 às 6h14 da manhã num parto domiciliar planejado, cercado de amor, carinho e sobretudo, respeito. Com 40 semanas e um dia, ele veio pra esse lado de cá e eu, bom… depois de 55h de trabalho de parto (o relato de parto virá, num outro momento), eu nasci… mãe.

Nesses 36 dias descobri que …

… Não mais serei a mesma, que um filho muda o nosso rumo sem que a gente menos espere, e numa velocidade inimaginável. Que muito me preparei para o parto e muito pouco para a jornada que vem depois dele.Que controle é de fato uma ilusão (que eu imaginei ter um dia e inclusive no TP (trabalho de parto) – e que em função dessa ilusão a gente sofre). Que a maternidade é feita de luz e sombra e que é preciso acolher amorosamente essa ambivalência. Que ninguém tem coragem de falar sobre essa ambivalência e nos achamos anormais por ela existir tão latente e profundamente em nós. Que choramos sem saber o motivo e no fundo de nossas almas bem sabemos o motivo. Que tememos as falhas. Que somos muito julgadas e pouco amparadas. Que precisamos de cuidados, físico, prático, real, emocional para que possamos, nós mesmas, cuidar de nossos filhos recém nascidos. Que somos verdadeiramente mamíferos e mulher recém parida é bicho e lambe a cria. Que as pessoas (muitas pessoas) têm dificuldade de entender esse nosso puerpério e podem nos ferir e magoar. Que as curas da alma começam no TP e perduram no puerpério e que isso é duro, mas é libertador. Que estamos frágeis e que não há nenhum problema nisso, pois somos em verdade a própria fortaleza. Que esse amor único e arrebatador corta e sangra por dentro e que apesar da fortaleza, nos questionamos da nossa real capacidade para tal tarefa (a de ser mãe). Que o tempo passa muito, mas muito mais rápido do imaginávamos antes e que, quando se vê, já se passaram 36 dias e aquela carinha miúda já se transformou. Que a impaciência existe junto com a culpa, mas que o amor transmuta e transforma vagarosamente tudo isso em resiliência. Que a amamentação, antes de ser maravilhosa, pode ser muito dolorida. Que o leite escorre e as lagrimas vazam, e não o contrário. Que precisamos falar mais sobre esses sentimentos e nos solidarizar, senão tudo fica pesado demais. Que julgamentos acontecem e que precisamos estar conscientes e determinadas nas nossas escolhas. Que nossos parceiros são imprescindíveis em todo o processo e que é maravilhoso poder contar com eles pro que der e vier. Que agora somos uma família dentro de outra família e que queremos ser notadas e reconhecidas assim, e respeitadas nas nossas escolhas mesmo que elas sejam diferentes das do resto do mundo. Que visitas são uma delicia, desde que não se estendam muito e respeitem a dinâmica da casa. Que telefonar antes de visitar não é somente educado, é absolutamente necessário. Que é preciso se flexibilizar, senão endurecemos e perdemos a ternura. Que cada minuto é precioso e que o sono também é. Que mães provam que o ser humano não precisa de 8h de sono seguidas (essa foi pra descontrair…rs). Que até então eu não conhecia uma forma tão intensa de viver e nem de amar alguém e que apesar de todas as dores do puerpério, que são muitas e profundas, a maternagem vale cada milésimo de segundo.

Há 36 dias atrás, eu não sabia de nada disso… e nem de mais um monte de outras coisas que eu não citei. Mas, em tão pouco tempo, vou aprendendo a ser mãe, ele a ser filho e meu companheiro a ser pai. Não tem manual, nem receita, nem bula, mas tem disposição e disponibilidade. Os erros virão, os acertos também e no final das contas a certeza de que estamos fazendo nosso melhor, de que seremos suficientemente bons, porque a perfeição está longe de existir.

Que todos os seres iluminados do universo iluminem nossos passos e abram caminhos pra mais um capitulo cheio de aventuras _/\_

 

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